Álbum: “Fruto Proibido”, de Rita Lee

30 05 2010

Voltando à música brasileira, essa semana o Acervo traz o álbum que representou a consagração nacional da rainha do rock brasileiro. Em 1975, Rita Lee lança o álbum “Fruto Proibido” juntamente com a banda Tutti Frutti (sua banda de apoio após sua saída dos Mutantes).

Com nove músicas assinadas pela Rita Lee, Fruto Proibido é considerado uma espécie de manual para fazer rock em português e ocupa a 13ª posição da lista dos 100 maiores discos da Música Brasileira da revista Rolling Stones.

Vamos dar uma olhadinha na tracklist:

1. Dançar pra não dançar – é simplesmente um convite para sair da monotonia e da caretice e dançar com “um movimento qualquer”. E a música em si já tem uma batida bem chamativa e não precisa implorar muito pra sair dançando com ela. (ouça aqui)

2. Agora só falta você - esse clássico retrata a conhecida rebeldia da nossa Rita Lee. A letra faz com que você queira fazer somente aquilo que lhe dá prazer e a melodia traz uma guitarra rocheda! (ouça aqui)

3. Cartão Postal – embalada com uma batida meio blues, com direito a back vocal, a letra ironiza o sofrimento da despedida. (ouça aqui)

4. Fruto Proibido – mais um hino contra a caretice, ironizando a história bíblica do fruto proibido, que é irresistível. (ouça aqui)

5. Esse tal de Roque Enrow - outro clássico, escrito em parceria com Paulo Coelho. Uma “louvação” ao rock’n’roll, a letra traz uma mãe aflita por causa da rebeldia da filha e seu envolvimento com o revolucionário Roque Enrow. (ouça aqui)

6. O Toque - mais uma em parceria com Paulo Coelho. É uma descoberta sobre os sons da natureza e o que eles dizem sobre o universo e nosso papel dentro dele. Particularmente, essa música é muito interessante. (ouça aqui)

7. Pirataria – composição em parceria com Lee Marucci, essa música é uma crítica às proibições e restrições impostas pela sociedade. (ouça aqui)

8. Luz Del Fuego - uma homenagem à Luz Del Fuego, uma dançarina brasileira que também foi feminista e naturista que teve um papel muito importante no movimento feminista no Brasil. (ouça aqui)

9. Ovelha Negra – quase autobiográfica, essa canção se tornou um clássico que imortalizou a nossa rainha do rock. Um hino para todas aquelas pessoas que se sentem diferentes dos demais.

“Ovelha Negra” – Rita Lee by acervomusical

por @nicysneiros





Acervo no Abril Pro Rock!

18 04 2010

Demais! Simplesmente, demais! O Abril Pro Rock 2010 marcou o fim-de-semana recifense, mesmo debaixo de muita chuva e muito frio!

O Acervo esteve nos dois dias do festival para conferir/fazer um pequena análise do que o festival propôs e o que realmente mostrou. Uma coisa é certa: o Abril Pro Rock NÃO pode sair da programação anual dos fãs de música boa. Embora os editores do blog não gostem muito de heavy metal (tema do primeiro dia do evento), o fato de Ratos de Porão, Agent Orange estarem por aqui torna forte a representação do Abril no cenário nacional.

No segundo dia, dentre as várias áreas do pavilhão, o stand da Astronave (realizadora do evento) e da OI FM foram os mais procurados pelos espectadores. No da OI, por exemplo, as pessoas faziam fila para tocar Guitar Hero III e tentar imitar as grandes bandas do festival.

Se existisse um prêmio de “Banda Revelação da Noite”, essa banda seria a Mini Box Lunar. Vindos do Amapá (sim, o Amapá existe!), o som é meio que um “The Mamas and The Papas”, mas já caindo pra o tecnológico “The Magic Numbers”. A foto abaixo mostra o “Age of Aquarius” do pessoal:

Outros destaques que fizeram o público gritar muito foram: Vendo 147 (rock da Bahia), Zeca Viana (pernambucano, agora morando em SP) e The River Raid, também de Recife (outra revelação incrível). Ah, não podemos esquecer dos já conhecidos e “arrastadores de multidão” 3namassa e Wado.

Ainda assim, todo mundo tava mesmo era esperando pelo grande show da noite: Pato Fu! Confessamos que, como nascemos nos anos 90, não conhecíamos a banda muito bem. É óbvio que com “Meio Desligado”, “Eu” e “Uh Uh Uh La La La Ie Ie” nós conseguimos arranhar alguns versos, mas o resto do setlist era novidade para nós (pelo menos para um dos editores XD).

O show arrancou muitos gritos da multidão. As melhores partes, além das músicas muito bem ensaiadas e sincronizadas, são as das performances de Fernanda Takai no palco. Fernandinha tem uma presença de espírito impressionante, sempre tirando onda com tudo.

O sorteado pelo blog para entrar no Abril pro Rock de graça foi o Gabriel! Esperamos que ele tenha gostado e mande sua análise pra gente.

Assim foi o ótimo APR 2010. Esperamos que no próximo ano a produção continue impecável como a do desse ano. Rock!

#nowplaying – “A Boca”, do Mini Box Lunar (é muito bom!!!)





Álbum: “Falso Brilhante”, de Elis Regina

3 04 2010

Nessa semana bem agitada no Acervo, eu trago a vocês uma das maiores cantoras da música brasileira – por muitos considerada A maior cantora da MPB: Elis Regina. Essa gaúcha, carinhosamente apelidada de “Pimentinha”, foi a primeira pessoa a inscrever a voz como instrumento na Ordem de Músicos do Brasil. Não era pra menos, com o timbre de voz classificado em mezzo-soprano, encantou todo o Brasil com suas inúmeras performances.

Dentre essas performances está o espetáculo Falso Brilhante (1975). Em cartaz por mais de um ano e com mais de 300 apresentações realizadas, esse espetáculo lançou a carreira do compositor Antônio Carlos Belchior. Um ano depois (1976), Elis Regina grava o LP Falso Brilhante. Ironicamente, a música que dá nome ao álbum não entrou na tracklist do mesmo.

***

Vamos dar uma olhadinha na tracklist do álbum:

1. Como nossos pais: o álbum já começa com uma das mais brilhantes composições de Belchior. “Como nossos pais” é uma dura crítica a uma juventude inerte que apesar de se considerar “moderna”, acomoda-se ao mesmo estilo de vida de seus pais. Perfeita interpretação de Elis, carregada com a emoção necessária para tornar essa música um clássico. (ouça aqui)

2. Velha Roupa Colorida: mais uma composição de Belchior, que fala sobre a necessidade de enxergar o novo, as grandes mudanças que estão acontecendo e “rejuvenescer”. (ouça aqui)

3. Los Hermanos: composição do argentino Atahualpa Yupanqui. A letra, embalada pelo típico ritmo latino, clama pela união dos sul-americanos (hermanos) contra as autoritárias ditaduras militares que se instalaram no continente na década de 60. (ouça aqui)

4. Um por todos: composição de João Bosco e Aldir Blanc, essa música é mais uma das belas críticas à ditadura militar. Carregada de ironia, a letra é embalada por diversos ritmos misturados. (ouça aqui)

5. Fascinação: é a versão em português de Fascination, popular valsa francesa composta por F. D. Marcheti e Maurice de Féraudy em 1905. (ouça aqui)

6. Jardins de Infância: mais uma composição de João Bosco e Aldir Blanc, a letra é composta por uma lista de brincadeiras que deveriam ser de crianças, mas que sugerem tanta violência, que parecem “brincadeiras” de adultos. (ouça aqui)

7. Quero: composição de Thomas Roth, é uma canção muito bela e que expressa o real desejo de uma vida mais livre, mais saudável e mais feliz. A música é a cara de Elis, já que se parece muito com o clássico “Casa no Campo”. (ouça aqui)

8. Gracias a la vida: composta pela cantora chilena Violeta Parra com o objetivo – originalmente – de agradecer por tudo de bom que a vida lhe deu. Mas Elis gravou essa canção com a intenção de denunciar a ditadura militar chilena. (ouça aqui)

9. O cavaleiro e os moinhos: também composição da parceria João Bosco / Aldir Blanc, essa música faz clara referência à Dom Quixote e suas aventuras. (ouça aqui)

10. Tatuagem: um clássico de Chico Buarque que ficou eternizado na voz de Elis Regina. Fala sobre a paixão de uma jovem por seu namorado, paixão tão forte que a faz querer fixar-se ao corpo do amado “feito tatuagem”. (ouça aqui)

twitter.com/nicysneiros





Acervo Musical trocou o endereço!

30 03 2010


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Álbum: “Krig-ha, Bandolo!”, de Raul Seixas

18 02 2010

Depois de algum tempo sem postar, eu volto com esse que é considerado um dos pioneiros do Rock no Brasil: Raul Seixas. Krig-ha, Bandolo! é o primeiro álbum solo lançado por Raul em 1973, sob a coordenação de Roberto Menescal, um dos fundadores da Bossa Nova.

O título do álbum faz referência a um grito de guerra do personagem Tarzan e significa “cuidado, aí vem o inimigo!”. Título bem apropriado, contando que algumas músicas do álbum criticam a ditadura militar.

Krig-ha, Bandolo! ocupa a 12ª posição na lista dos 100 maiores discos na música brasileira, divulgada pela revista Rolling Stones.

Vamos dar uma olhadinha na fantástica tracklist do álbum:

  1. Introdução: uma faixa curta de apenas 50 segundos, traz Raul Seixas cantando “Good Rockin’ Tonight” aos 9 anos de idade. O áudio não é bom, mas dá pra perceber o quanto o pequeno Raulzito se identificava com o rock’n’roll. (Ouça aqui)
  2. Mosca na Sopa: uma crítica à ditadura militar. Usando de metáforas, como sempre, Raul “manda um aviso” aos repressores de que não adianta tentar calá-lo, pois outra pessoa vai ocupar o lugar dele e sempre haverá uma “mosquinha pousando na sopa” dos militares. (Ouça aqui)
  3. Metamorfose Ambulante: não é preciso falar muito sobre esse clássico. Considero-a uma síntese coerente e direta sobre uma época, uma geração; sobre a genialidade de Raul e o que ele significa para o Brasil, não só na área musical, como também na área social e política. “Metamorfose Ambulante” é auto-explicativa: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Sem muitas metáforas, simples e coesa. Acho que deu pra perceber que é uma das minhas músicas preferidas. :D (Ouça aqui)
  4. Dentadura Postiça: essa música gera um turbilhão de pensamentos embalados por uma “batida” country. Sinceramente não me atreverei a tentar decifrar o que o “Maluco Beleza” tentou dizer com essa canção. (Ouça aqui)
  5. As Minas do Rei Salomão: a canção segue a mesma tendência do livro homônimo publicado em 1885 por Henry Rider Haggard. “As Minas do Rei Salomão” ou “As Minas de Salomão” é o livro precursor do gênero literário “mundo perdido”. A música realmente parece ser cantada por um viajante que já viu de tudo. (Ouça aqui)
  6. Hora do Trem Passar: parece ser uma bela canção de amor, mas essa música pode assumir outros significados de acordo com a perspectiva lançada sobre ela. (Ouça aqui)
  7. Al Capone: mais um grande sucesso de Raul, a música faz referência a grandes personagens da história de caráter popular. Letra bastante polêmica, principalmente pela frase: “Ei! Jesus Cristo o melhor que você faz / Deixar o pai de lado / E foge pra morrer em paz…”. Achei uma análise bastante minuciosa e talvez um pouco exagerada sobre essa música aqui. (Ouça aqui)
  8. How Could I Know (Love was to go): gravada no estúdio da CBS no Brasil, é uma canção de amor que fala sobre o fim de um relacionamento. Letra muito bonita e comovente. (Ouça aqui)
  9. Rockixe: mais uma crítica à ditadura militar. Literalmente, a letra é sobre uma pessoa que era fraca e tornou-se mais forte que seu inimigo. Encaixada no contexto da repressão da ditadura, a letra fala sobre uma pessoa que já sofreu nas mãos dos militares, mas que agora percebeu que é forte o suficiente para combatê-los. (Ouça aqui)
  10. Cachorro Urubu: aparentemente, também é uma crítica a ditadura. A letra parece um chamado para continuar na estrada, na “luta”. O trecho: “Todo jornal que eu leio / Me diz que a gente já era / Que não é mais primavera / Oh baby, oh baby / A gente ainda nem começou” deixa transparecera crítica à repressão cultural da época. (Ouça aqui)
  11. Ouro de Tolo: outro sucesso que consagrou Raul como um dos maiores gênios da MPB. Essa música é uma ótima crítica à classe média, ao consumismo e ao sistema capitalista vigente naquela época. E, por incrível que pareça, essa crítica pode ser perfeitamente aplicada aos dias atuais e, ao que tudo indica (infelizmente), essa música permanecerá “atual” por um bom tempo. (Ouça aqui)

#opulodogato Para curtir um pouco mais do nosso “Maluco Beleza”, recomendo o DVD O Baú do Raul: são os grandes sucessos de Raul interpretados pelos novos nomes do rock brasileiro. Ah! Ainda temos um exemplo de como Raul influencia até os mais novos nomes da MPB, como Zeca Baleiro. Por possuírem estilos semelhantes, muitas pessoas fazer essa relação Zeca-Raul. Por isso, Zeca Baleiro compôs a música “Toca Raul








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